Educação financeira na adolescência pode ajudar a evitar dívidas no futuro
Com famílias brasileiras mais endividadas, especialistas defendem que adolescentes aprendam desde cedo a planejar gastos, consumir com consciência e entender crédito, poupança e investimentos.
14/08/2026 às 09:30
Fonte: CNN Brasil

A educação financeira tem ganhado espaço no debate entre famílias e escolas diante do aumento do endividamento no país. Segundo CNN Brasil, especialistas avaliam que ensinar adolescentes a organizar gastos, entender limites de consumo e planejar objetivos pode ajudar a formar adultos mais preparados para lidar com crédito, poupança e investimentos.
Os dados reforçam a preocupação. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, aponta que 78,8% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior nível desde novembro de 2022. Além disso, 30,4% têm contas em atraso. Já levantamento da CNDL e do SPC Brasil indicou que, em agosto de 2025, 71,7 milhões de adultos estavam inadimplentes, alta de 9,2% em um ano.
Para economistas, o problema não se explica apenas por juros altos, inflação ou renda apertada. A falta de familiaridade com orçamento, cartão de crédito, empréstimos e cheque especial também contribui para decisões que aumentam o risco de inadimplência. O economista William Baghdassarian, professor do Ibmec, afirma, segundo CNN Brasil, que a inadimplência limita o consumo das famílias, dificulta financiamentos e afeta a economia.
A orientação pode começar com atitudes simples no cotidiano. Mesada, registro de entradas e saídas, comparação de preços, definição de metas e diferenciação entre necessidade e desejo são formas práticas de aproximar jovens do tema. A regra 50-30-20, que separa parte do dinheiro para gastos essenciais, lazer e poupança, também pode ser adaptada à realidade dos adolescentes.
Além de incentivar o hábito de economizar, a educação financeira ajuda a desenvolver autonomia, consumo consciente e noções sobre juros, crédito, investimentos e planejamento de curto, médio e longo prazo. O exemplo dos pais ou responsáveis é considerado decisivo, já que conversas abertas sobre prioridades e limites do orçamento familiar tendem a influenciar a relação dos jovens com o dinheiro.